O jeito italiano de ser

Desde que cheguei aqui tinha uma impressão que os italianos seriam mais receptivos aos turistas do que outros povos europeus. Cheguei até a ouvir que os italianos seriam os brasileiros da Europa. Achei que era exageiro. Não vou confirmar muito menos rechaçar essa opinião por que acho que essas comparações por nacionalidade sempre têm um ranço xenofóbico.
A verdade é que os primeiros contatos que tive com italianos foram logo na minha chegada em Madrid. Entre os países que tinham um maior número de estudantes eram: Alemanha, Itália e Portugal mais ou menos empatado com a França. Os italianos eram sempre mais receptivos com o seu cumprimento inicial que soa engraçado para os lusófonos, “tchao” (mas que se escreve ciao, em italiano), e sua melodia na fala.
Mas nada supera uma visita ao país e o contato com dezenas deles. Alguns não falavam inglês ou francês, o que inicialmente poderia ser um problema, mas nada que muita boa vontade por parte deles, sejam jovens ou idosos, e a linguagem mundial dos gestos não resolvam. Nenhum deles nos recusou dar uma informação. Do motorista, mais sério, a mocinha da banca de revistas que se esforçava para falar um inglês defeituoso e até um trabalhador, que também não falava em inglês, mas que nos ajudou no caminho até a estação de metrô.
Em Bérgamo e Veneza comemos as melhores massas de nossas vidas. No primeiro dia, uma pizza num lugar que ninguém acreditava que dali sairia algo tão bom. No segundo, uma lazanha à bolonhesa indescritível, assim como a cidade de Veneza (abdiquei de fazer um post sobre ela por que não consiguia descrever, por isso o atraso deste post).

Em Veneza, encontramos dois personagens que ao nos ouvir falando português começaram a conversar conosco. Primeiro, um rapaz que viveu em João Pessoa e cantava uma música brasileira dentro de uma gôndola. Num momento e lugar em que ninguém esperava ouvir o idioma brasileiro. Depois, um vendedor de souvenirs que falava português brasileiro tão bem que nem “nh” do “tinha” era mal pronunciado. Ele repetia o tempo inteiro que não conhecia o Brasil e nunca tinha ido lá. Mas depois de pedirmos informações brincou, “Ok, a consulta custou R$10”. Ele realmente “cobrou” em reais.
Em uma das vezes que nos perdemos em Milão, tínhamos pegado o bonde no sentido contrário e só percebemos umas dez estações depois, numa noite de sábado, quase 1h da manhã, na chuva e frio de quase 0ºC, o momento mais engraçado. Ao perguntarmos a um passageiro sobre a estação e ele nos explicar que o caminho não era aquele, caimos na risada. Todos no bonde perceberam que os turistas estavam no caminho errado e também riram da desgraça alheia, nesse caso da nossa desgraça.
A imagem que ficou da Itália foi de que eles construíram belas cidades, com uma importância histórica inquestionável, e que são muito alegres e receptivos. Isto contrasta completamente com a idéia de que o frio deixa as pessoas mais fechadas e carrancudas. Além disso, comprova o que tinha certeza: o povo italiano não é aquele senhor deste mesmo país que mateve uma atitude xenofóbica numa noite em Paris com minha amiga, mas isso é outra história.

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One response to this post.

  1. Posted by Priscila on 2010 at 11:51

    Adorei seu post. Vou para Veneza em janeiro.

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